quarta-feira, agosto 13, 2008
Tempo para reorganizar o conteúdo
Brevemente irei lançar aqui no http://umparaum.blogspot.com o livro para download com os melhores artigos, algumas actualizações e também ideias adicionais que fazem sentido não deixar de parte.
Até lá, recomendo a leitura de tudo que tiver ao vosso alcance - afinal, se trabalhamos exclusivamente para um mercado de serviços, na qual a relação com o consumidor é fundamental, temos de estar atentos ao que o motiva.
Deixo também uma outra recomendação: ouçam todos os que vos rodeiam. O erro de um marketeer é gostar de se ouvir, expressar novas ideias, apresentar conceitos inovadores, desenvolver estratégias únicas... contudo esquece-se muitas vezes de ouvir o principal interessado, quem reage às ideias. Quanto mais os ouvirmos melhor resultados teremos.
Até breve,
Mário Alcântara
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Ecologicamente correcto
Mas quais os passos que podem ser dados? A lista é imensa, e começando pela simples mudança no tipo de papel usado para brochuras, ao uso dos químicos de limpeza, passar pela conversão de carbono plantando árvores, ou até ao envolvimento do próprio cliente na dinâmica ecológica.
Para quem não sabe por onde começar, o primeiro passo pode ser dado em http://www.mycarbonfootprint.eu/pt/ .
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Novo ano, novo blog!
Para já apresento em primeira mão o redesign do blog. De leitura mais fácil e sem o cabeçalho carregado de cor. Aceito críticas :-)
Como poderão reparar o título também muda. Embora mantenha o nome do blog, pretendo explorar outros caminhos do marketing na indústria do turismo para além da relação do 'um para um'. No entanto deixo claro que continuo a defender que toda a estratégia deve ser preparada para garantir a lealdade do consumidor- afinal é para ele que trabalhamos. E como já disse em artigos neste blog, é mais barato obter lucro de um cliente já existente do que de um novo cliente!
Para já é tudo... retorno em 2008. Até lá, tenham umas óptimas entradas e que o próximo ano seja um ano cheio de clientes satisfeitos e rentabilidades altas.
Mário Alcântara
quarta-feira, novembro 29, 2006
A grande ruptura
Se existe momento para repensar o modo como toda a indústria do turismo em Portugal está a operar é este o momento. Hoje, sem dúvida, estamos no início de uma nova ruptura que surge após um longo período de dez anos, momento em que um novo canal de distribuição, a Internet, passou a fazer parte integrante do modelo de negócio.
A indústria do Turismo é uma indústria muito particular, provavelmente com o maior número de variáveis que rapidamente poderão levar ao nosso sucesso como ao completo fracasso. É ser uma indústria totalmente virada para os serviços, e obrigatoriamente focada para o consumidor. Pelo menos deverá ser este o caminho.
O consumidor parte de uma posição neutra. Todos os intervenientes, sejam eles agências, hotéis, aviação, restauração ou outros, têm de repensar no modo como valorizam o seu serviço e a sua relação de forma a criar o seu cliente ideal. É fundamental gerir as suas expectativas e saber ouvir. É fundamental ganhar um cliente e não uma simples venda.
Por onde começar?
As pessoas. Escusado será dizer que são o maior activo que uma empresa de serviços possui. É essencial requalificar, pagar melhor e motivar para que dominem o que vendem e tenham orgulho do que fazem. Ter profissionais que optam pelo turismo simplesmente porque necessitam de um emprego temporário “até arranjar melhor”, ou aplicar a eterno pretexto que em turismo os ordenados são baixos é o princípio a ser mudado. A qualidade tem de ser paga e baixando o “turn-over” vai aumentar os níveis de relação entre os profissionais, a empresa e os seus clientes. Uma mais valia para as empresas será sempre uma mais valia para os clientes.
A tecnologia. O surgimento do “social-networking” com ênfase cada vez maior nas mais variadas faixas etárias e classes sociais, enquadrado na nova geração de serviços na Internet , já apelidada de Web 2.0, é algo que se tem de estar atento e activo. Os consumidores são cada vez mais informados. Partilham informação e recolhem dados. Eles são os novos agentes de viagem e até os próximos operadores turísticos. Tudo pelo simples prazer de partilhar informação. Se para alguns poderá ser uma ameaça, essencialmente em nichos de mercado que os valorizam pela informação e experiência que possuem, é a maior oportunidade de sempre. Finalmente os consumidores poderão fazer parte de uma marca e sentirem-se ligados à mesma participando na sua construção. É o novo desafio na fidelização. No entanto quem não ficar atento poderá ter as suas consequências.
A comunicação. Em primeiro lugar é importante não esquecer que o consumidor evoluiu. Tem acesso a todos os preços, tem possibilidade de orçamentar praticamente todos os serviços por ele próprio e até reservar. A segurança que ele depositava nos intervenientes, sejam eles agências e operadores, está consequentemente a diminuir. O desafio passa por ganhar de novo a confiança. Suplementos, taxas, classes de reserva, alojamentos demasiado standard ou sempre completos sem disponibilidade, são argumentos mais que suficientes que leva que todo o investimento na comunicação efectuada se desvalorize e seja ineficaz. Outro lado importante na comunicação é focar nos segmentos. Cada vez é mais fácil ouvir o consumidor, segmentá-lo e oferecer-lhe de facto o que se enquadra no que pretende. Não só é uma forma muito eficaz de o fidelizar como também de gerir as suas expectativas e assim controlar todas as variáveis que envolvem o serviço proposto.
quinta-feira, novembro 16, 2006
Turismo 2.0 *
A indústria do turismo está de novo a mudar radicalmente desde a primeira vaga, altura em que começou usar a Internet como meio integrante da sua estratégia. Desde 1995, ano caracterizado pela mudança do modelo tradicional de reservas para um modelo on-line, toda a evolução representou uma das mais rápidas ascensões de negócios na Internet, dominada por um principio fundamental: oferecer o melhor preço, sempre garantido e de forma imediata, de um modo sempre disponível 24 horas, 7 dias por semana.
Um novo modelo de negociação designado por ‘customer-to-costumer’ (C2C), é simplesmente o indício do que está a suceder no mundo on-line, facilmente identificado em sites de leilões como o E-bay. No entanto continua a evoluir e levando-nos também a identificar um novo modelo de consumidor, consolidando uma nova tendência fomentada por blogs, podcasts , videocasts, mashups e o ‘social networking’. Estes são a pura descrição, em conjunto com outras tecnologias da nova geração Web 2.0, que permitem ao consumidor ter em seu poder uma quantidade de informação nunca antes acessível e ainda mais importante, ter acesso a formas fáceis de publicar o seu conhecimento e experiência sobre qualquer assunto e para qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo.
Quando transportando a base dos conceitos apresentados para a industria do turismo, qualquer um pode ser agente de viagens ou até operador turístico. Este novo perfil de consumidor, que poderemos designar por consumidor 2.0, é sustentado por 4 pilares fundamentais : busca, conteúdo, comunidade e personalização.
segunda-feira, setembro 11, 2006
Férias de Verão (com)prometidas
O turista que visita um destino, e não o viajante que o percorre, pretende que o local para o qual juntou dinheiro ao longo de um ano de trabalho seja perfeito. Procura também a forma mais rápida e barata de chegar. Muitas vezes a escolha é motivada através do aconselhamento do seu agente de viagens e claro pela opinião de amigos, outras simplesmente pelo impulso de uma fotografia ou de um programa de televisão.
O turista das férias de Verão também não quer estar sujeito a variáveis que comprometam as suas merecidas férias, sejam estas atrasos nos voos, cancelamentos, mau tempo, comida de menor qualidade ou um empregado de mesa menos agradável.
É importante reter que este tipo de cliente confia aquela semana, que mais espera ao longo do ano inteiro, aos profissionais do turismo que lhe preparam a operação. Estes, a seu ver, deverão obviamente possuir um forte conhecimento do destino, pois escolheram os melhores hotéis, prepararam a melhor assistência local, e claro que fretaram o avião que especialmente o levará nas tão esperadas férias. Confia também que tudo isto, após ter a documentação na sua mão e a viagem paga, vai acontecer sem percalços de maior, de preferência até sem nenhuns, de acordo com o programa previsto e impresso na brochura.
Infelizmente, as operações que não assentam em aviação regular estão na sua maioria sujeitas à taxa de ocupação do voo respectivo sendo por vezes canceladas em cima da data de partida. A necessidade foca fundamentalmente nos lugares que não foram ocupados em vez dos lugares já teriam turistas ansiosos pelas suas férias, já pagas e fortemente anunciadas a colegas, amigos e família.
Por muitas desculpas que ocorram, nenhuma compensa o turista que hoje em dia tem acesso a toda a informação, que consulta os principais sites na Internet, seja para se informar da meteorologia, de hábitos locais, da sua segurança pessoal ou até à necessidade de visto. A verdade é que surge a imediata perda de confiança no operador, na operação fretada e por fim no próprio destino, que ficará marcado para época seguinte como um destino que poderá sofrer do mesmo mal, repetidamente. De facto resume-se a um único ponto: a promessa não foi cumprida.
Se muitos viajantes já criam e marcam as suas próprias férias on-line e directamente em hotéis e companhias aéreas, a sucessiva perda de confiança em operações montadas sobre aviação charter, levará num futuro próximo, a que o próprio turista de férias de Verão se aventure - este certamente deixará também de efectuar as suas férias através das agências e dos programas preparados pelos operadores.
Mais do que gerir a qualidade de uma operação, seja ela para um destino nacional ou para o local mais remoto do mundo, é fundamental gerir as expectativas e cumprir com a promessa das férias contratadas. O risco de nunca mais recuperar aqueles lugares outrora vendidos, ocorre também com os outros que o poderiam ter sido posteriormente, através dos amigos curiosos pela mesma experiência, agentes de viagens motivados e da generalização de um novo destino, que necessitaria de mais do que um ano de operação para se massificar.
terça-feira, julho 18, 2006
As milhas da discórdia
Nunca se pensaria ser possível ganhar milhas para voos gratuitos e upgrades de classe, além do acesso aos lounges, sem nunca ter voado. A verdade é que a oferta de milhas já não se resume unicamente ao viajar de avião – basta fazer bastantes compras com cartão de crédito, alugar viaturas, reservar alojamento hoteleiro ou até meter gasolina no carro para o passeio de fim de semana.
Os passageiros frequentes têm de facto razão para estarem descontentes, pois aquilo pelo que eram reconhecidos passou a ser válido para qualquer consumidor. O valor da sua lealdade a uma companhia aérea ou aliança simplesmente deixou de ser reconhecido.
Ou talvez não…
Desta forma criaram-se dois níveis, distinguindo os passageiros fieis dos que um dia poderão ser fieis.
A realidade que ocorre neste momento com milhas é uma antevisão da realidade que se passa com outros programas de fidelização, pois não basta ter um cartão nem contextualizar o modelo que procura criar a relação com o consumidor. É fundamental reconhecer o verdadeiro cliente.
terça-feira, maio 09, 2006
E-Mail de Q.I. Aumentado
Embora óbvio, é fundamental relembrar que o uso inteligente da análise de interesses do cliente e consequente apresentação de propostas geram, definitivamente, o aumento de vendas.
Por exemplo, a constante verificação de alterações significativas nas tarifas das companhias aéreas nas mais variadas rotas, pode dar origem a um alerta aos utilizadores que tenham demonstrado interesse nessas mesmas rotas, mas que não tenham comprado. Este mesmo exemplo poderá ser aplicado para uma cadeia de hotéis, com a oferta de serviços ou alojamento em datas nas quais o utilizador procurou disponibilidade ou até operadores turísticos, com programas de férias e promoções de destinos por ele procurados.
Afinal ninguém quer perder uma boa oportunidade de negócio!
Já não são novidade as capacidades tecnológicas possíveis de aplicar numa acção de e-mail marketing e também na obtenção de gostos de um utilizador – muitas lojas on-line já o fazem há bastante tempo. Torna-se no entanto fundamental criar um modelo inteligente, baseado em resultados analisados, que possibilite a correcta utilização e medição de sucesso. Um pormenor tão elementar como a hora do envio de uma mensagem, pode determinar o êxito da sua leitura e consequente acção.
A oferta tem de ser relevante, direccionada ao “target” exacto e no momento certo, tendo de apresentar uma clara mais valia para quem a recebe.
O estudo exaustivo e detalhado de dados recolhidos, ao nível do que se faria para comunicação mais tradicional, permitirá obter informação clara para atingir retorno no investimento. Associado a aplicações de CRM (costumer relationship management) representarão um resultado justificado, muitas vezes questionado neste tipo de estratégias. Tudo se resume a aumentar o Q.I. ao e-mail.
sexta-feira, abril 07, 2006
Férias reais em locais virtuais
E se há alguns anos estas opiniões não iam muito longe e eram vagamente valorizadas, hoje em dia são muitos os viajantes que lhe dão importância. A informação partilhada por outros viajantes, em locais como o Trip Advisor, que são a referência principal do futuro cliente – mais do que a brochura com bonitas fotografias.
É caso para dizer que o crime não compensa.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
O paraíso nas Caraíbas
Em termos operacionais, a chegada dos clientes ao hotel era sempre feita pela entrada de serviço. De facto era o único acesso. Na óptica do dono, era uma boa entrada pois era alcatroada, de fácil acesso à recepção e à estrutura do hotel. Era também uma óptima entrada para o staff, para os fornecedores e para o camião do lixo. Esta óptima solução falhou no entanto devido a um pormenor - deitava por terra todas as expectativas criadas pelos seus clientes sobre o local. O impacto negativo criado à chegada, pelo modo como os clientes eram confrontados pela porta de serviço, levou a variadas reclamações. Mas a praia estava lá, tal como as palmeiras e todo o ambiente proposto, algo que o proprietário não compreendia. No entanto a sensação de paraíso perdia-se logo à chegada.
O dono do hotel, como sempre viveu neste local, não se apercebeu que a sua ideia de acesso fácil era afinal o que deitava abaixo, por completo, toda a sua comunicação – a promessa não era cumprida e o primeiro impacto, que restaria para toda a estadia dos seus clientes, era negativo.
Após atender aos vários comentários dos hóspedes, surgiu a alternativa através da criação de uma pequena estrada que passou a ir até à praia, pela qual se entra directamente à recepção disfrutando de imediato todo o esplendor publicitado.
Num produto turístico o compromisso de corresponder à expectativa apresentada é, sem dúvida, o factor fundamental para a partilha de uma experiência e até para a própria repetição, que não pode ser negligenciado. Muitos responsáveis estão de tal modo envolvidos no seu dia-a-dia, que os “pequenos pormenores” podem, quando negligenciados, representar o sucesso de um projecto.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
No news... bad news
O follow-up de um cliente, tanto para o operador como obrigatoriamente para a própria agência, permite não só obter feedback do local, da operação e até dos serviços contratados, como também gerir uma expectativa criada ou minimizar uma situação menos boa que possa ter ocorrido.
O processo mais fácil é de facto o inquérito escrito, que o cliente no final poderá preencher e entregar via correio, por exemplo. É contudo neste processo que o principal problema surge, pois não garante uma certeza ao cliente que o seu preenchimento dará retorno justo. Além do facto do cliente, se teve algo que o desagradou, muito provavelmente nem enviará o respectivo formulário.
Existe no entanto uma outra solução, que embora controversa, tem-se provado eficiente.
A indústria automóvel que já passou por este processo, possui a resposta para este desafio – um simples telefonema.
Após a venda de uma viatura ou da revisão da mesma, é efectuada uma chamada telefónica que controla não só os níveis de qualidade do serviço, como também permite identificar se a expectativa do cliente foi atingida. O resultado levará a uma melhoria das futuras relações e serviços, com este ou em novos clientes, como também identificar novas oportunidade de negócio.
Podendo parecer simples a estratégia já usada por várias marcas de automóveis, para o turismo este método implica que as agências forneçam aos operadores os números telefónicos dos seus clientes, ou em alternativa desenvolvam um método de contacto directo que possa gerir esta relação e aproveitar o fruto da mesma.
Não necessitando ser uma solução muito complexa, o plano passa por cada operador alargar a responsabilidade das suas operações, desenvolver ao longo do processo de CRM (costumer relationship management) a inclusão de um processo de pós-venda. Desta forma será então possível ouvir o que o cliente tem para dizer – afinal um simples desabafo pode evitar uma imagem negativa criada à volta de um destino, de um operador ou da própria agência.
domingo, novembro 20, 2005
Desempacotar os pacotes
No meio de uma comunicação pouco eficiente, concentrada para a palavra promoção, grande parte dos operadores turisticos nacionais estão a deixar escapar os clientes antes sequer de terem a possibilidade de saber o que os motiva na escolha do seu destino. Os canais de distribuição estão largamente a perder reservas a médio prazo, pois a oferta está orientada para uma venda imediata onde o preço é o único factor. Aonde estão a ir os outros clientes? A comprar directamente, a organizar as suas viagens à medida, para os mesmos destinos oferecidos em pacotes de viagens expostos nas mais variadas montras. E estarão a pagar muito mais? Provavelmente menos.
A somar a todas estas questões, a apresentação do preço da viagem, que quando totalmente somados os respectivos valores dão somas astronómicas que desvia qualquer comprador do seu objectivo , está a revelar-se uma estratégia de afastamento mais do que de aproximação ao produto apresentado. Os preços em letras grandes perderam o seu impacto numa altura que se transmite para as taxas de aeroporto e suplementos de partida as margens e as oscilações de moeda. O viajante ao comprar direcamente por si através de canais directos como a internet, assume todos esses valores ao controlar o que compra.
Perante este cenário, que não é realidade só para o nosso mercado, existem soluções a adoptar que vão de encontro às necessidades claras dos actuais consumidores. Uma das principais é o dynamic packaging que, no uso de todos os recursos de contratação existentes nos operadores, permite ao agente construir em poucos cliques num site do próprio operador, um programa à medida, baseado nos pacotes inicialmente desenvolvidos. Combinando a contratação aérea, hoteis, tours e até aos próprios transferes, o preço é subreposto pela vantagem de um programa à medida. Certamente os clientes interessandos em trocar o tempo de efectuar um transfere num autocarro, que pára em seis hoteis, por um transfere privado, estão dispostos a pagar mais.
No fundo é possível resumir que os pacotes dinamicos são um desempacotar em pequenas parcelas, todas elas contratáveis individualmente.
terça-feira, outubro 25, 2005
Viagens numa colher de chá
Não se pode culpar o 9/11 (para os mais leigos nos americanismos, o 11 de Setembro) pelo desaparecimento das colheres de chá metálicas cunhadas. Afinal o desaparecimento das mesmas é um custo a ser contabilizado no preço da viagem - e todos os tostões contam. Agora existem colheres de plástico, mais leves, baratas e mais fáceis de gerir bastando ir para o lixo no final do voo - tão simples como as que se encontram num supermercado qualquer, sem história, sem aventura.
Se, no ponto de vista de um centro de custo, pode ser visto como uma vitória para sustentar preços já espremidos da classe económica, no ponto de vista global de uma companhia aérea, o custo das colheres cunhadas sempre foram imputados ao lugar errado. A colher de chá devia ser imputada ao departamento de Marketing!
O Marketing de uma companhia, que investe fortemente em publicidade, programas de relação, lounges e cadeiras ergonómicas, pode perder factores importantes de continuídade de uma relação da marca com o passageiro, com o ignorar de uma simples colher cunhada contadora de histórias.
Por vezes pequenas coisas apoiam, também, no intensificar da marca e consequente lembrança.
quinta-feira, setembro 29, 2005
Post-it
Que trabalho é preciso fazer? Estar no momento certo a comunicar com o consumidor.
No entanto, momentos certos para a marca, podem não ser para o consumidor - afinal nem todos mergulham na mesma época ou procura a neve na mesma altura. Como conseguir obter essa informação? Simplesmente perguntando ao consumidor.
Recolher informação pode ser um processo longo e dispendioso, mas cria condições para se obter bons resultados. Agora é necessário comunicar!
Sabendo a altura certa, o reply rate da aposta é elevado, obtendo resultados que poderão compensar o investimento feito inicialmente.
Eis alguns exemplos que inspiram este tipo de estratégia:
- Hotel próximo de um centro de congressos, que segmenta os hóspedes pelo tipo de feira que visita, enviando um mailing orientado à estadia respectiva no ano/época consequente;
- Companhia aérea que reconhece um frequent-flyier a época de business travel e de leisure travel, apresentado propostas ou reminders;
- Marca de automóveis que propõe um testdrive de uma viatura adequada ao cliente ou apresenta uma solução de crédito para troca da viatura, de acordo com o hábito de mudança de automóvel do consumidor;
- Empresa de viagens segmentadas que envia um brinde a indicar que está quase na altura de fazer mais umas férias adequadas ao timming do cliente;
Tudo se resume em lembrar o consumidor no momento da sua decisão que a marca a optar é pela nossa, dando-lhe o valor que ele tanto procura.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Tiros certeiros e conversa afiada
O marketing contextual funciona de um modo adaptativo. Para exemplificar, podemos olhar para uma companhia aérea que lança um novo destino com preços muito atractivos. Se numa estratégia de comunicação mais regular seria anunciado algo como "novos destinos a baixos preços", partindo de uma visão contextual esta mensagem será transmitida de modo a se adaptar à necessidade de cada um. Comunicando nos locais onde o target se encontra, se geográficamente pode ser complexo, ao olharmos para o uso da internet o caminho é de facto mais curto. Pensando num destino como "Londres", pode-se promover contextualmente para estudantes em locais como nas universidades, salas de chat, forums online e sites para este tipo de consumidor, como "a tua viagem para ver museus e conhecer uma das melhores capitais europeias". O mesmo produto, mas enquadrado numa comunicação orientada para pessoas que podem fazer "escapadelas" de fim de semana, deverá ser contextualizado por exemplo num restaurante onde quadros superiores de uma empresa vão almoçar - "hoje é quinta feira, que tal marcar um voo para londres em www.xxxx.com e amanhã ao fim do dia estar a jantar em Convent Garden?".
O marketing de precisão (precision marketing), mais fácilmente conseguido em modelos de comunicação online, permite centrar com uma precisão única a comunicação certa para o receptor certo. Imaginando um hotel que conhece os hábitos alimentares dos seus clientes, pode fácilmente focar a entrada de um novo chefe e comunicar especificamente uma semana dedicada aos gostos da carne. No entanto não seria muito bom um vegetariano receber a informação ainda por cima com uma tarifa especial por ser um cliente habitual.
É fundamental obter conhecimento sobre o consumidor, pois só assim se poderá apresentar-lhe o que será do seu interesse e ter uma comunicação com um retorno coerente e positivo. Afinal se é um amante de golf, recusaria ler um email no qual o título é sobre o seu hobbie?
quinta-feira, setembro 01, 2005
O fidelizado emocionado
Quando se pensa em programas de fidelização pensa-se logo num sistema de cartões e de uso frequente. O facto é que todos pensam isso mas falham redondamente num ponto: não são emotivos. A comunicação tem de criar mais que simplesmente um reconhecimento da marca ao qual o cartão pertence. Tem de transmitir ao consumidor que de facto é util, e focar o uso nele com um envolvimento emocional e coerente para o qual ele foi criado. Um cartão de pontos para uma empresa de carpetes, que dá 10% de desconto após duas compras não é emotivo, é hardselling. Um cartão de compras de supermercado que dá descontos, não é um cartão de fidelização, é um cartão de descontos.
Mas há excepções, e essas excepções são felizmente muito visíveis no turismo. Os cartões frequentflyer estão cada vez mais interessantes, pois além de permitirem guardar toda a informação relevante do passageiro, como gostos, tipo de viagem e claro as milhas, permitem aplicar os pontos ganhos numa oferta emotivamente enquadrada na arte de viajar. Juntam-se as ofertas de pacotes turísticos, também cada vez mais associados às companhias aéreas e o circulo começa a fechar-se. Importante compreender que além de milhas algumas alianças optaram também por pontos especiais, tornando o verdadeiro cliente num verdadeiro parceiro da companhia.
Os hóteis estão também a ficar cada vez mais interessantes - exemplos como o Hilton Honors (hhonors.hilton.com), que permitem ao portador do seu cartão obter vantagens a usar nos hóteis da cadeia, como upgrades e reservas a preços baixos, mas também o desafiam a recolher pontos em coisas tão simples como cocktails ou na marcação de uma massagem. Mais uma vez este envolvimento com o hóspede leva-o a que queira repetir a experiência e experimentar. Afinal os hoteis não são só para dormir e por vezes existem serviços que não são explorados.
Fidelizar não é fazer com que alguém tenha um cartão com uma marca. É fazer com que quem o possue se sinta motivado para o usar e sentir que faz parte dele. É oferecer algo que doutra forma não seria imediato. É motivar o seu uso.
quarta-feira, agosto 24, 2005
Então diga lá o que quer!
Ainda não satisfeito com o que presenciou,o sultão optou por tirar a venda aos olhos dos compradores, contudo proibindo qualquer contacto verbal entre ambas as partes. Embora alguns vendedores ainda procurassem fazer sons gritando, apregoando e até cantando, outros com esta oportunidade optaram por desenhar grandes cartazes, acenar com os seus produtos e visualmente atrair o seu cliente.
Agora só falta mais uma coisa, pensou o sultão, pondo em práctica a ultima parte do seu plano. Permitiu que existisse diálogo entre quem procurava comprar com quem tinha algo para vender. O resultado obtido foi de facto interessante. Certos vendedores ainda optavam simplesmente por tentar obter a atenção pelo som, outros um pouco mais evoluídos já optavam pelo impacto visual, também por vezes acompanhado por uma bela cantiga ou refrão. No entanto surgiu um tipo de comerciante, que ao ter uma oportunidade única de falar com o seu cliente, descobriu que cada cliente é um só e tem gostos muito particulares. "Então diga lá o que quer"; "aquilo que levou da ultima vez foi bom?"; "a senhora que gosta de pratos azuis, veja este que ainda agora chegou" - aprendeu a ouvir e a oferecer unicamente aquilo que de facto o consumidor pretendia. Conseguiu desenvolver o seu produto à necessidade do mercado e vender para um público que realmente o valoriza pelo seu conhecimento, obtendo maior fidelização e confiança.
É possível tirar algumas conclusões para reflectir sobre o que se está a passar no mercado do turismo, a partir deste conto já tanto generalizado e também ele adaptado a imensas situações. Estarão as agências e operadores que só apresentam promoções e ofertas generalistas a comunicar só de uma forma ruídosa? Será que os grandes cartazes e publicidade nos mais variados meios, sobre destinos de sonho comunicam de facto para o público certo? É importante perceber que este é o momento certo para aparecimento de agências e operadores de nicho de mercado, que ouvem os seus clientes e criam o produto certo.
quinta-feira, agosto 18, 2005
Continua a gostar do café sem açucar?
Embora o universo para aplicar uma estratégia de CRM (costumer relationship management) possa ser tão grande quanto o se pretender, podendo ir desde de toda a unidade ao simples centro de desportos, é fundamental existir um pensamento comum em toda a estrutura - cada cliente é único e tem de ser tratado como tal.
Uma nota importante: mesmo com um baixo turnover de empregados, é impossível humanamente decorar todos os clientes que se relacionaram, por isso no mercado encontram-se variadas soluções para apoiar esse trabalho. Algumas são soluções individuais, outras integradas nos sistemas de reservas mais standards. Sistemas como o GuestWare (http://www.guestware.com) e o recentíssimo Siemens Hipath (http://www.siemenshotel.com/) , são alguns exemplos actualmente no mercado que permitem recolher e gerir a informação, adquirida ao longo de uma estadia.